sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Led Zeppelin, plágio ou inconsiente coletivo?

Povo bacana,


Não sei se já deixei explícito que uma das bandas que menos gosto, apesar de ter ótimos músicos,  é o Led Zeppelin.


Todo mundo, inclusive Homer Simpson, me falava que o Led era a banda que mais havia plagiado músicas da história. Como eu já não gostava do Led, assumia isso como verdade absoluta.

Homer Simpson jamais falaria alguma mentira sequer!

 

Tenho muito respeito pelo talento absurdo John Paul Jones, dos grooves de John Bonham, das interpretações cinematográficas de Robert Plant e confesso que até Jimmy Page teve sua época de brilho.


Porém, a banda nunca me "prendeu", pelo contrário, sempre senti que as músicas me ofereciam uma atmosfera cansativa e logo corria pra ouvir outra coisa.
Nunca fui fisgado pela guitarra de Page, apesar de reconhecer que em algumas músicas ele faz a diferença.

Bom, voltando à questão do plágio, eu sempre achei que a banda havia plagiado apenas algumas músicas. Recentemente, me deparei com alguma coisa sobre o assunto e, meio que sem querer, procurei alguns vídeos que falavam sobre os plágios da banda.

Então, se você for um daqueles fãs que perde a cabeça quando a gente fala mal da banda, pare por aí, porque o vídeo abaixo pode provocar reações adversas.

Ah, o vídeo é em português. Peguei do usuário do YT chamado Gom.


Então, lá vai!





Hahahaha... Muito bom!


Mostrei esse vídeo pra um amigo fã de Led. Como ele é um cara sem frescura, logicamente, achou graça. Logo na sequência, ele disse que se procurar, até Since I've Been Loving You seria plágio.

Pois o próprio procurou e achou.


Não só achou a "influência" como também achou a introdução.
Lógico Jeff Beck, amigo de Page desde a infância, não iria reclamar dele ter copiado sua introdução.

Mas como disse o meu nobre amigo: 
- O cara plagiou a própria banda! Nível máximo de plágio.




E olha que eu não fucei em nada. Já fizeram isso por mim.


Claro que é muito difícil juntar bons músicos para formar uma banda. E, mesmo depois de juntar esses músicos, ainda querer que eles sejam compositores de mão cheia é como dar um tiro na Lua e acertar.


Fico pensando... Acho que a banda nunca pensou que a busca da informação chegaria no ponto que chegou, porque os caras copiavam na cara dura. 
Acho mesmo é que eles achavam que ninguém jamais iria ouvir música negra fora eles e que nunca iriam descobrir os plágios.


Bom, não vou escrever mais nada. Vou deixar que vocês apenas se divirtam.



abraço!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Jeff Beck, o 'Ame-o ou Deixe-o' - Parte 6 e 3/4

Parece mentira, mas não é!


Ele voltou. Sim, o 'Velho Jeff' voltou para contar suas aventuras, mesmo que algumas delas fiquem mais para 'Karatê Kid' do que para 'Os Caçadores da Arca Perdida'.



Enfim, vamos ao que interessa, isto é, os anos 80 e suas cabeleiras macias e felpudas esvoaçando sobre guitarras cor de rosa com detalhes de pele de onça.... Vixe!

Lógico que tem muita coisa que presta feita na década de 80. Mas pra uma boa parcela eu retiro esse comentário.
Haja mau gosto!



[Haja mau gosto mesmo]
Depois da trilogia do sucesso, de ser considerado o top dos guitarristas até o momento e fazer uma sonzera de lascar, 'El Becko' se prepara para mais um 'CC', isto é, um 'Super Sucesso'.

Em meados de 1984, Jeff Beck se prepara para, talvez, sua maior incursão ao Pop. Aliado ao produtor Nile Rodgers e toda a tendência 'purpurinática' da década, Jeff lançaria, ao mesmo tempo, o melhor e o pior álbum de sua carreira. E tudo isso em um único disco, o inigualável Flash.


Engraçado como um personagem como Jeff transita pelos gêneros, do Blues ao Jazz Rock, do Funk ao Eletrônico... Enfim, Quem esperava que ele viesse com uma pedrada instrumental aliado ao "bom gosto" dos sintetizadores dos anos 80, acertou! E Errou também.





Não sei que tipo de entorpecente os 'donos' da indústria fonográfica usavam na época, porque como afirma o próprio Beck, Flash se resume a um literal "record company goof"!

O próprio Jeff até hoje não entende esse disco, e se pudesse, retirava imediatamente de sua discografia.

Engraçado que a crítica da época elogiou muito o disco, considerando este como 'O melhor de Beck' ou 'Grande evolução de Beck'. Ainda por cima, ele ganhou seu primeiro Grammy com esse disco.

Depois vocês não sabem o que as drogas causam nas pessoas. Já que estamos nos anos 80, vou falar que eu acho que a Erin Brockovich descobriu qual a droga que estava na água que o povo bebia e ficou calada.


Bom, vamos ao disco.

É realmente deprimente ouvir isso. A começar pela abertura do disco. 'Ambitious' é triste de ouvir, 'Get Us All The End' idem.

Beleza, quem sabe a próxima, intitulada 'Escape', música a qual deu o primeiro Grammy para Jeff se salva, e... JAMAIS! Realmente, devia haver algo podre na água da indústria fonográfica da época. Porque, como disse há pouco, haja mau gosto.

Lógico que se a gente procurar apenas performances guitarrísticas, o disco tem alguma coisa, mas como dizia a Pirelli: 'Potência não é nada sem controle'. Então, mesmo com 'El Becko' em plena forma, não seria possível fazer milagres com essas músicas.


Bom, mas o disco tem algum bom momento?


Se você contar beijos e abraços como bons momentos... Talvez sim!


Acho que a coisa mais brega desse disco deve ser esse clipe
E ainda hoje é um clássico! Hahahaha... Eita água essa.
E haja beijo e abraço. É uma epopeia de carinho...
 



Choraram? Claro né! Mas tenho certeza que foi de vergonha alheia.
Pior ainda é ouvir as músicas que vem na sequência.

'Stop, Look and Listen', 'Get Workin', 'Ecstasy' e 'Night After Night' são músicas próprias para suicídio.

Fiquem sabendo que, enquanto escrevo esse monte de bobagem, eu fico ouvindo as músicas no Spotify. Então imaginem como estou me sentindo nesse momento tendo que escutar esse álbum inteirinho.

É daqui pra farmácia pra comprar Lexotan na certa!


[Flash (1985) - É muita tristeza....]

É, meus amigos. É muito complicado de ouvir esse disco. 

Impressionante como um cara como Jeff Beck, que vinha de 3 ótimos discos, entra numa "furada" dessas. Furada entre aspas mesmo, porque, mesmo sendo um disco horrível, elevou Beck a um novo patamar de fama. Tanto que o disco chegou a ser nomeado como 'Best Beck's LP' e suas parecerias nesse disco chegaram a ser intituladas de 'icônicas'...

Vai entender, né?

  
Bom, mas nem tudo são trevas na vida de 'Mr. Beck'. Após uns 4 anos de curtição do ápice da bela fama, Jeff, aparentemente, para de beber da maldita "80's Water" e após uma turnê com Stevie Ray Vaughan (que parece ter colocado JB nos eixos), aparece com um trabalho inusitado. 

Junto com seu 'parça' Tony Hymas e o super baterista Terry Bozzio, Beck definitivamente volta ao normal, isto é, músicas bacanas, inovação e um timbre de guitarra matador.



E bora que bora que agora vem a pedrada!




Inspirado nos trios 'sem Baixo' de Jazz, talvez no 'The Doors', ou até mesmo inspirado pelos sons de baixo programados pelo seu ex-parça Jan Hammer, Jeff Beck e companhia limitada, aparecem com um disco cheio de texturas e melodias bacanas.  Eis o Jeff Beck's Guitar Shop.

Beck, sempre afiado e com todos seus licks de Blues, Rockabilly, Jazz e Rock, ainda aproveita o tempo de fama pra investir numa coisa que não se tinha ouvido com tanta maestria até então. Essa "nova" brincadeira era as frases partindo de um único harmônico.

Lógico que já se fazia isso. Todo guitarrista dos anos 80, inspirados em Eddie Van Halen, fazia uso dos 'Dive Bomb' ou descia/subia as notas usando a alavanca. Mas Beck fez diferente.


Mas antes, uma pausa...


Durante a época do Flash, Jeff deixa de lado, sob protesto, suas Fenders e se abraça com as Jacksons, essas, as sensações dos 80's.
Por respeito ao bom gosto dos poucos leitores deste blog não vou postar fotos das "belezuras" que Jeff segurava naquela época.

Bem, mas essas Jacksons em uma coisa serviu. Que Jeff teria que ter uma ponte baseada nos famosos Floyd Rose

Os anos 80 foi uma ótima oportunidade pra quem queria fazer guitarras, até então, diferentes. Como já dito aqui no blog, até as "stratos comuns" eram de fabricantes, digamos, desconhecidos.

Mark Knopfler, Pete Townshend usavam Schecters, Beck chegou a usar uma Aria Pro. Jackson, Steinberger, Charvel, Performance, Ibanez, ESP, Valley Arts, Krammer e muitas outras eram as 'guitarras da vez'. Dos famosos, acredito que apenas Clapton e SRV ainda usavam velhas Fenders. Gilmour usava Fender, mas com EMGs.



Em meados de 1986, a Fender estava se recuperando dos maus bocados que passou desde 1973 (mais ou menos) até 1985. Após diversas incursões pelas 'inovações' da época. A Fender, finalmente, toma uma medida inteligente e, apoiada numa "volta" das guitarras com designs clássicos, contrata um monte de luthiers de primeira classe para lançar modelos, literalmente, Plus.

Até então, não havia nenhuma Fender Signature Series. O top das guitarras Fender seriam essas que, por um acaso, se chamariam 'Strat Plus'. Eram guitarras espetaculares, com madeiras excelentes e tudo de mais moderno, em se tratando de Stratocaster, é claro!


As Fenders Strat Plus (que não possuíam esse nome) tinham o corpo em Alder, braço em Maple com escalas em Maple ou Rosewood, captadores Lace Sensor Gold, tarraxas Sperzel com trava, Roller-Nut e o novíssimo Tremolo Wilkinson com 2 pivôs. Lembraram de alguma guitarra em especial?


Existe uma lenda que corre por aí de que foi o próprio Jeff que inventou o Roller-Nut e o Tremolo de 2 pivôs para strato. Lógico que é lenda, mas parece verdade, visto a intimidade que 'El Becko' tem com esses aparatos. Esses aparatos foram desenvolvidos por Trev Wilkinson com a finalidade de trazer a mobilidade de uma ponte Floyd Rose para uma aparência "vintage".


As primeiras 'Strat Plus' saíriam em 1987, porém alguns meses antes, antes mesmo dessa história de 'Plus', Jeff solicitou à Fender que esta fizesse uma 62' Strat com a mesma pintura de seu Ford HotRoad (esse aí do lado).

A Fender, imediatamente aproveitou a situação para conversar com Jeff para a fabricação da primeira signature series da história da Fender. A empresa, que estava voltando aos trilhos, viu uma imensa oportunidade de alavancar seus negócios com essa proposta.


Sendo assim, o primeiro protótipo da série 'Plus' ou 'Signature' passou pelas mãos de Beck (essa amarelinha aí do lado).

Mesmo adorando a guitarra, Beck, temporariamente, nega a proposta da Fender para o lançamento da sua Signature.  

Dessa forma, a Fender atrasa o lançamento dessa 'série surpresa' por motivos administrativos/Marketing. Mas na verdade, o lançamento foi adiado porque Jeff desistiu do lançamento de sua Signature. Dessa forma, Eric Clapton acabou, pouco tempo depois, se tornando o primeiro 'Fender Artist' da história.


Bom, isso não impediu Beck de usar sua 52 Tele, a horrenda Jackson e sua "Signature Series" (com caps Seymour Duncan) para a gravação do ótimo Jeff Beck's Guitar Shop.


O disco nasce bacana. A capa é muito legal. Toda essa coisa da paixão de Beck por carros e guitarras fica muito bem retratada na capa.

Enfim, sem Nile Rodgers e vocais sedutores, Beck leva,junto as suas 'Sig', para o 'The Sol Studio' seus bons e velhos Marshalls Plexi.

Utilizando de toda a tecnologia digital da época (que não eram 286s nem XTs), Jefferson 'El Becko' Beck explora magnificamente todos os recursos do estúdio. De pedais até delays adicionados após a gravação. Mas não se enganem, tirando a faixa título vencedora do 'Best Instrumental Rock Performance' do 90'Grammy. Toda a essência do disco foi gravada ao vivo!

Lógico que o timbre não é nada vintage. Mas como Mr. Beck não está nem aí pra isso. O bicho pega!


Logo na faixa de abertura, Terry Bozzio, apresenta o disco, e para guitar-maníacos como nós, a faixa de abertura 'Guitar Shop' é um deleite. Ele descreve quase tudo de uma guitarra, o que acaba se tornando uma brincadeira repleta de verdades.

Savoy é um tiro de canhão e Behind The Veil, ah... Esse Dub é muito bonito... aquele bend no final...

Big Block é um Power-Blues que o 'homi' toca até hoje. Até aí, nota-se toda a intimidade de Beck com o novo tremolo da sua strato. Todos aqueles 'migués' de dar tapa na alavanca para a guitarra ficar "gripada", fazer uma onda "indiana" com a palma da mão, enfim, Beck usa de tudo para fazer a guitarra literalmente berrar.


Mas a surpresa ainda estava guardada.


É em 'Where Were You' que a coisa se toda se exclarece. Não posso considerar essa música uma balada, mas sim uma explosão de sentimentos. Toda a concepção dela beira... Peraí, beira não! É sublime. O comecinho em Lá maior, as modulações, tudo é genial. E mesmo com todos aqueles timbres meio 'oitentistas', não sai de moda.


Logo após o lançamento do disco, que alcançou o posto #49 na Billboard, houve uma extensa matéria com Jeff Beck na revista Guitar Player e, em um determinado ponto da entrevista, perguntaram como ele havia conseguido extrair aquele timbre com slide em Were Were You. Ele prontamente pensou: "Sabe de nada, inocente!" e respondeu:  - Não foi com slide, foi tudo com a alavanca.


What!!??


Yep! Its all about the whammy bar. Pronto, ali a surpresa havia sido revelada. 
Todos sabemos que caras feito Scott Henderson, Mike Landau, Steve Lukather, Ritchie Blackmore, etc, que gostam muito de alavanca, na verdade se inspiram em 'Slide Players', e com Beck não era diferente. Só que o 'danadinho' estava indo além.


Fico pensando quanto tempo da vida Beck gastou só pra decorar as escalas partindo de um harmônico. Realmente inacreditável como ele faz.

Até onde sabemos, a regulagem do tremolo dele é igual a que o Carl Verheyen diz que é dele, isto é, puxando a alavanca para tras a coisa funciona assim para as seguintes cordas:

G - 1,5 tom (uma terça menor acima)
B - 1 tom
e - 0,5 tom

Mas pra descer a escala, aí garoto, é na munheca mesmo.


Quem achou que para por aí, errou. Em Two Rivers, outra belíssima balada, 'El Becko' mostra todo o serviço com o tremolo novamente. Me lembro que há uns anos, me dediquei a pegar essa música, bem... ao menos tentei.

Depois que a gente entende o raciocínio dela, não fica complicada não. Ok, a parte complicada seria por volta de 1:45, que é quando ele usa dos benditos harmônicos.

Até aí, beleza. Até que pintou um dúvida e fui dar uma pescada no YouTube pra ver como se fazia. Foi aí que eu vi que ele só usa as notas digitadas somente em um pedaço da música, e é lá pra depois da metade!

O 'mizeravi' usava os harmônicos em 90% da música! Mas como? É impressionante como ele faz as frases todas usando só a alavanca. Tudo com uma precisão absurda. Tão preciso que parece que ele esta usando a nota do braço mesmo.



Eita disco 'bão' danado!



Pois é, amiguinhos. Foi dessa forma que Jeff Beck aposentou o laquê e o batom para retornar ao mundo dos músicos! E que retorno!


A partir daí, Beck começa sua nova jornada que pega em cheio a tendência dos anos 90.


Pra terminar, uma frase que resume o 'homi':

"I don't care about the rules. If i don't brake the rules at least 10 times in every song then i'm not doing my job properly"





Me calei!











Próximo post: Rockabilly, DJs, Raves, Timbres faiscantes e sua nova obsessão por mulheres instrumentistas.






Um abraço!