terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Larry Coryell - Descanse em paz

Tristíssima notícia.

Um dos meus 'jazzers' favoritos pegou a nave da vida.
Sem palavras.

Só sei que essa cabeleira branca vai fazer sucesso nas gigs para a outra plateia.






O ano mal começou e já se mostrou uma bosta.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Palheta ou Dedo - E agora!?

Respeitável público,




Hoje tentarei abordar um tema por várias vezes discutido entre diversos guitarristas. Esse talvez seja um dos assuntos mais polêmicos entre guitarristas em uma determinada época da vida. Assim como todo mundo passa pela adolescência, todo guitarrista tenta provar que a palheta é melhor que o dedo e/ou vice-versa.



Mas e então? Dedo ou Palheta? E agora!?
Bom, a resposta rápida é: - Os dois!

 
Mas eu quero escolher o estilo principal!
Então, vamos à luta!



Se você gosta do Mark Knopfler e seu amigo gosta do Sueco Fritador, provavelmente vocês já tentaram colocar na mesa de discussão que 'tocar de dedo' é melhor que 'tocar de palheta'. Nesse momento, você pega sua guitarra e faz uma frase cheia de saltos de corda e double-stops. Na outra ponta, seu amiguinho pega sua Dunlop Jazz-III e faz uma frase de 3 notas por corda, todas palhetadas, linda de morrer e muito bem executada.

Nessa brincadeira, passa o dia e ninguém chegou a lugar algum.


Na minha opinião, todas tem seus benefícios, mas cabe ao guitarrista fazer da sua técnica favorita seu meio de expressão.



Bom, chega de mimimi e vamos aos pontos.



Timbre.

Esse talvez seja o principal fator que faz com que alguns guitarristas optem pelo uso dos dedos ao invés da palheta. De início a gente não percebe, mas, com o tempo e o amadurecimento da percepção do timbre, o som proveniente dos dedos é nitidamente mais cheio e gordo do que a palheta.

E nem sou eu quem fala.
Quem afirma isso é o 'Cabra' do vídeo abaixo. (1m32s do vídeo)


No vídeo, o pequeno Scott (esse tem futuro) fala do uso da palheta e do dedo. É facilmente perceptível a mudança do timbre quando ele usa a ponta da palheta, a borda da palheta e o dedo.



Outro menino que aborda esse tema é o desconhecido Robben Ford (olho nele). No vídeo abaixo, o próprio Robben faz uma breve análise sobre as duas técnicas.

Nesse vídeo, Robben foi direto ao ponto.
Palheta para velocidade e 'dedos' para o Blues.

No decorrer do vídeo, ele faz uma pequena demonstração da diferença entre as técnicas.
Uma das coisas mais importantes, na minha opinião a mais importante, é o "pop" ou "slap" das cordas com o uso dos dedos. A dinâmica das notas reflete, ao meu ver, toda a intensidade e emoção de uma frase. (0m50s do vídeo)

Lógico que ele poderia ter feito essa frase com a palheta, e provavelmente sairia muito parecido com o original tocado com os dedos. Mas a opção pelos dedos traz, não sei se é só eu que ouço, um "micro silêncio" entre as notas que faz toda a diferença.

Bem, aí ele entra com a palheta e a coisa toda muda de figura.

Com a palheta, a nota fica amplificada e definida. A definição, nesse caso, é causada pelo contato da palheta com a corda. O 'tic' define o ataque da nota e a dureza/material da palheta irão definir o volume dessa nota.
Tocar com a palheta também pode ser bluesy (Jimi que o diga), e traz um destaque ao guitarrista em termos de volume e agressividade.


Ah, mas eu gosto de metal e não dá pra fazer os arpeggios sem a palheta.

Quem disse?


Esse maluco aí fritou tudo. Claro que esse moço usou uma super técnica de violão clássico e, com o uso das unhas, o cara parece que toca com 3 palhetas. 

Claro que aí ele está usando cordas baixinhas, tensão leve, um abafador e fatalmente um compressor. Mas isso quase todo metaleiro usa.

Se o 'Jovem Shreder' quer um pouco mais de força em um fraseado como esse, a palheta é, na minha opinião, a escolha ideal, pois ela poderá adicionar mais dinâmica ás notas. Mas está aí a prova de que não é preciso palheta pra executar essas coisas.


Acho que por esses 3 vídeos, dá pra perceber que, quando o timbre do instrumento se sobressai sobre a distorção, o timbre dos dedos é mais aveludado/encorpado do que com a palheta. Isso logicamente acontece devido ao contato da carne com as cordas.




Técnica de mão direita (no caso dos destros).


Dependendo da sua técnica da mão esquerda... sim, esquerda, ela pode influenciar diretamente em como sua mão direita irá atacar as cordas. Se você gosta de tocar 'super harmonias' no estilo Ted Greene, não usar a palheta é quase uma obrigação, mas se você curte um estilo Holdsworth de ser, pode ser que a palheta ajude.

No caso da técnica de legato, como a maioria das notas se pronunciarão por execução apenas da mão esquerda, na minha opinião, 'de dedo' ou 'de palheta' não irão fazer a menor diferença.

Allan Holdsworth usa palheta na maioria do tempo, já o Allen Hinds usa os dedos em quase todo o show.

Se você tem uma pegada mais forte como a do Malmsteen ou do Joe Satriani, a palhetada traz o ataque e a presença necessárias ao estilo que irão ajudar, e muito, naqueles vibratos brutais à là Zakk Wylde.

Caras como Clapton, Eric Johnson, Joe Bonamassa (o Pizzaiolo) e SRV estão ligados diretamente com a palheta. Clapton, de vez em quando larga a maldita, mas é por uma ou duas músicas. Já o BB King nunca largou a palheta e, com certeza aquele 'twing' e vibratos dele jamais sairiam daquele jeito sem a bendita pontiaguda.

Um detalhe que alguns guitarristas observam é, que com o uso da palheta, existe um choque de volumes muito grandes entre o contato dela com a corda, isto é, no exato instante que a nota começa a se pronunciar e o restante (sustain) dela.
Tentando descrever isso, é como se fosse um assim: -PEeeeeeemmmm.

Não confundir com o efeito 'Tuleum'


Pra evitar esse tipo de 'choque', guitarristas como Jack Pearson, palhetam suavemente as cordas, causando uma uniformidade durante a vida daquela nota


A turma que curte um Jazz tradicional, chord medody e aquele fraseado de oitavas, geralmente apela e acaba por usar somente o polegar para tocar. Pois o polegar não traz o 'raspar' da palheta

Dizem que a 'pegada de polegar' começou quando o Wes Montgomery, então estudante de guitarra, ouvia muitas reclamações dos vizinhos porque, quando ele praticava, o volume era muito alto. Então, pra não deixar de praticar, ele passou a usar o polegar de forma suave ao invés da palheta para seus estudos. Depois disso, o resto é história.

E que história


Tudo no polegar! impressionante.


Outro cara que já fez de tudo é o Jeff Beck. O cara toca de palheta, dedo e polegar (que também é dedo, mas eu vou considerar como um joanete). Jeff sabe quais as técnicas ideais para cada tipo de música. Claro que ele raramente usa palheta, mas quando usa, faz com maestria. No caso dele, tudo que ele pôde adaptar para o fingerstyle, ele adaptou

Jeff já declarou que gosta mesmo é do timbre extraído pelo polegar. Certa vez, Jeff estava fazendo manutenção nos seus Hot Rods e sofreu um acidente que quase decepa seu polegar da mão direita. Depois da recuperação ele confessou que ficou com medo de não poder usar mais o polegar devidamente, pois descobrira que 'Its all about the thumb'.

Mas quem nunca ouviu ele destruindo de palheta?

Pois é...

 

Junto desse bolo todo, teve um cara que passou meio desapercebido perante essa turma toda. Esse cara é um tal de Mark Knopfler. Esse cara talvez seja, mesmo não sendo o pioneiro, a maior referência de fingerstyle na guitarra elétrica até hoje
Todo mundo que vê um cara tocando sem palheta diz: - Olha aí o cara tocando feito o 'Dari Strit'!

Não dá pra imaginar Sultans os Swing tocado de palheta. Até que sai, mas não é a mesma coisa.

Já postei isso aqui.
Mas está aí o homem falando a mesma coisa dos outros.

Todos dizem a mesma coisa. Palheta é para velocidade.


Uma das coisas que faz com que alguns guitarristas troquem a palheta pelos dedos é apenas o conforto. Alguns, como eu, não se sentem à vontade segurando a palheta ou até mesmo seguram de uma maneira desconfortável causando cansaço ou desconforto ao longo de um show.

No caso do senhorzinho aí em cima, tudo começou por conforto. Certo dia ele estava dedilhando um violão e percebeu que tudo que ele fazia com a palheta, ele fazia com os dedos. Então, por naturalidade, ficaram os dedos.

E olha que o ídolo maior dele é o Hank Marvin, um palheteiro de primeira.

Percebe-se então, que o fato de eu gostar de Steve Morse não significa que tenho que usar palheta. Também é justo dizer que mesmo o Mark Knopfler sendo para alguns o guitarrista mais sentimental de todos, esses, não necessariamente precisam largar a bendita palheta.


Até agora, só fiz escrever de um e de outro. Estou parecendo um moleque que acha que acha que técnica de guitarra é igual ao Highlander.

Então porque não unir o útil ao agradável e misturar as duas técnicas assim como fez Chet Atkins, Josh Smith, Vince Gill, Albert Lee, Danny Gatton e todos aqueles que gostam de música caipira?


Pois não é que parece bom!


Pois é, essa técnica visualmente feiosa é conhecida como 'Chicken Picking'. Isso porque, eu acho, que é porque o desenho da mão da palheta parece uma galinha quando a gente brinca de fazer sombra na parede.




Sério! Vê se não parece?

Essa técnica consiste de duas formas. 
Uma com palheta comum e a outra com a famosa, e não muito utilizada por guitarristas, Dedeira (palheta de polegar).

Não é Mamadeira, ok?


Aí já entramos em mundo de alienígenas. Porque esses caras conseguem extrair o melhor de 2 mundos, isto é, conseguem palhetar com velocidade e força, fazer double stops, saltos de cordas, frases caipirescas... enfim, tudo!

Particularmente, eu detesto a palheta de polegar, pois parece que o dedo fica com 10Kgs. Mas, por outro lado, deixa os outros dedos livres.

Outra coisa que não gosto de usar a dedeira, é que timbre extraído pelo polegar vai ser sempre 'palhetizado', e pra mim, o polegar é parte importantíssima para um timbre gordo e ritmos meio abafados. 

Eu mesmo, cansei de ouvir o Just One Night do Clapton e ficar avançando as músicas pra chegar na parte do Albert Lee. A pegada de Chicken Picking dele naquele disco é impressionante.


Me lembro também de ouvir a fase menos pesada do Brett Garsed e fiquei doido querendo saber como ele fazia toda aquele fraseado rock/fusion e no meio daquela coisa toda ele metia um slap que eu tentava adivinhar de onde vinha. A resposta: Chicken Picking.


Tenho que verificar o registro dele no MIB. (3:30 do vídeo)

É!

Próximo tópico...



Tipos de palheta



Para os que optam pelo uso da palheta, ou até para aqueles que, assim como eu, tentam criar uma relação com ela, o tipo da palheta influencia, e muito, no timbre desejado.

Mas isso é meio óbvio, pois existem vários tipos de palhetas feitas com diversos tipos de materiais.
Sendo assim, cada material trará um timbre diferente ao instrumento, além disso, como mostrado pelo Scott, dá pra tirar dois tipos de timbre com uma só palheta.


Existem palhetas de diversos tamanhos. Redondas, pequenas, grandes, triangulares (Carlos Santana), grossas, finas, pontiagudas, arredondadas... Assim como podem ser feitas de diversos materiais como o plástico, madeira, osso, vidro, metal, carbono e materiais sintéticos porosos ou lisos.


Uma ideia da diferença entre palhetas de materiais diferentes


Se você não entende porque aquela palheta que vem junto do encordoamento que você usa uma porcaria. 
Não entenda. Ela é ruim mesmo. Tão ruim que desmotiva.

Existem palhetas para todos os gostos, mas generalizando um pouco, vou tentar associar algumas coisas com palhetas.

Pra tocar o Blues, palhetas Fender Heavy, pra mim são as melhores, pois elas tendem a criar dentes nas bordas e fazem o som ficar raivoso. Danny Gatton arranhava suas palhetas Fender nos knobs da Telecaster. Joe Satriani também prefere as palhetas Fender usadas, pois ele gosta do "arranhado" que os dentes da palheta fazem.

Para metaleiros perfeccionistas, palhetas porosas de 2mm ou mais. Alguns metaleiros atuais costumam usar palhetas de vidro ou de metal. Ambas, de preferência, pequenas.

David Gilmour agora palhetas Gibson Tear Drop.

Jazzistas preferem as famosas Jazz III. Porem, Pat Metheny usa palhetas comuns extremamente finas e moles.

Para aqueles que não tem afinidade com o fingerstyle mas querem o som gordo dos dedos, palhetas de madeira são as mais indicadas.




Prós e Contras


Sei que não sou o mais indicado pra falar, pois sou mais adepto ao uso dos dedos, mas vou tentar esclarecer um pouco do que eu acredito ser benéfico, ou não, entre palhetas e dedos.

Bom, pra mim não existe esse negócio de 'prós e contras'. Tudo é questão de preferência.

Claro que coisas como execuções de 3 notas por corda, sweeps, rakes, harmônicos articificiais, etc... são mais fáceis fazer com palheta.
Da mesma forma que saltos de cordas, timbres aveludados, slaps, double stops e ghost notes são mais tranquilas de fazer com os dedos.



Ah, mas tem um que é melhor que o outro?


Não necessariamente. É realmente uma questão de conforto e identificação com o estilo. Tudo é possível de fazer usando os dedos e palhetas. Cabe o bom senso do guitarrista na hora de tocar.


Muitos professores de guitarra usam apenas a palheta e querem que seus alunos a usem também devido a facilidade dele, o professor, passar os exercícios e aplicações.
Como a maioria dos guitarristas usa palheta, existem boas técnicas de palhetada. Caras como o Frank Gambale e John Petrucci são exímios palheteiros, mas cabe ao estudante que prefira os dedos tentar adaptar as técnicas de palheta para o fingerstyle.



Escreveu tanto e não disse nada!


Também não é por aí. 
Copiar as coisas de outros guitarristas faz parte do processo de ser músico. Um escritor lê muito antes de escrever seu primeiro livro.

Mas, ser músico, no caso, guitarrista, é fazer música com uma assinatura própria. Tocando lento ou rápido, som cru ou processado, o que vale é ser reconhecido pelo seu som, seu timbre, seja tocando cover ou autoral.

O negócio é não ter preconceitos e procurar ter o máximo de autenticidade no seu som. De palheta ou de dedo, o que importa não é como você toca, mas sim se o que sai dos seus dedos é de verdadeiro.






Quero deixar como coautor desse post o Guilherme Dantas. Ele quem me sugeriu para que eu escrevesse sobre esse assunto. Muita coisa que está aqui no post, foi fruto de um bate-papo no post anterior.



Abraço!


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Narrando um conto

Tudo começa com um hammond.

O raspar nos pratos anunciam o drama.

O primeiro acorde, menor, faz surgir um bend. 

A medida que a nota vibra, o knob de volume vai transformando o silêncio eu um canto crescente.

Não há pedais, apenas a guitarra plugada em um Fender Champ e uma boa dose de reverb.

A cada acorde, o canto se recria, como o canto da sereia.

O ciclo dos acordes recomeça, e dessa vez, o canto se transforma em um chamado quase insistente, que, após atrair toda a atenção, termina em um convite para uma jornada cheia de beleza assinada por uma singela terça maior.

A progressão é simples, quatro acordes. 

O volume da guitarra desce ao nível 7. O Champ agradece e faz questão de responder docemente às notas que recebe.

A melodia segue como uma hipnose que permeia os poucos acordes.

O ambiente criado pela caixa Leslie ao lado faz com que a guitarra conte a história de maneira tranquila.


Apenas quatro notas chamam o segundo ato. 

O baixo acentua a mesma nota do ciclo original. 

O hammond altera a tonalidade, quase como uma armadilha que tenta tirar o herói do caminho anteriormente determinado.

Mas não, é apenas um olhar, daqueles do topo da montanha, daqueles que garantem a certeza do caminho já trilhado.

O volume da guitarra vai quase ao máximo, como se afirmasse a certeza do caminho, certeza essa que se prova na mesma e singela terça maior.

A melodia retorna, mas dessa vez contada com algumas notas a mais, contada com notas firmes.

O captador da ponte entra em cena, seus agudos combinados ao peso da palheta são como se as pisadas em direção ao destino ficassem mais fortes, quase como o êxtase de um mantra.

Retorna o segundo ato. 

E dessa vez a firmeza das notas são um aquecimento para o clímax. Como a preparação para uma uma batalha já anunciada durante os traços que desenhavam o caminho.
 
Tudo do máximo. 

O ápice chega, as válvulas aquecem, o amplificador grita alto, e, acentuando sua voz, se sobressai perante aqueles que se lançaram em busca da consagração.

A harmonia permeia quase o mesmo ciclo inicial

Um outro acorde maior mostra que a discussão é somente para adultos, e dela, somente um conquistador sairá para contar a história.

Um rápido lick de blues;

Um conjunto de bends na mesma casa;

As notas graves preparam pra mais um furioso lick de blues;

O amp ferve a cada golpe da palheta; 

Um bend de quase 2 tons desafia os limites da escala e a sequencia de notas descendentes que terminam na famigerada singela terça maior determinam o fim do embate.

O mantra retorna.

Parecendo apressado.

É a certeza do destino já predestinado.

Mais uma vez o segundo ato retorna.  

Dessa vez, as notas contam a história de um vencedor.

A guitarra canta novamente àquele bend, uma oitava acima. 

É aquele canto. 

O canto que iniciou todo esse conto. 

O canto que irá cantar tantas outras histórias, mas que sempre termina em uma otimista terça maior.










quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Allen Hinds - tradição moderna

Fala, moçada!


Mesmo com apenas, aproximadamente, um post por ano, tento seguir com o blog da maneira que dá. Com muito carinho, mas do jeito que dá. 

Rá!!


De um tempo pra cá, tenho gostado muito (muito mesmo) do trabalho desse grande guitarrista chamado Allen Hinds. Nascido no Alabama, a Minas Gerais dos EUA, esse cara conseguiu unir o que parecia impossível, isto é, conseguiu unir toda a exuberância de Allan Holdsworth com a linguagem campestre do country e do blues.



Conheci o trabalho do Allen pesquisando sobre equipamento (o que todo guitarrista faz nas horas vagas) na internet (leia-se Youtube), e a coisa que me chamou a atenção foi que mesmo tocando, em maior parte, com a técnica de legato, seu fraseado era um mix de frases modernas e tradicionais, muito blues e licks no bom estilo Holdsworth. 

E o melhor de tudo: O cara é alucinado por equipamentos vintage, principalmente telecasters. E pra melhorar, o cara toca fingerstyle 90%do tempo. 

Pronto, comecei a caçar coisa desse moço nos 'www' da vida, e posso garantir: Vale a pena conhecer o trabalho desse cara.


Pra quem gosta de harmonia, melodia, timbres bonitos, licks matadores e principalmente de ótimas composições, esse cara é a pedida.


Seu primeiro trabalho foi o disco Fact Of The Matter (2005). Legal é que, mesmo sendo o primeiro disco dele, ele não era nenhum moleque. Então, já existe uma boa dose de maturidade logo no álbum de estreia.

Gosto de estreias musicais maduras. Acho bacana quando um músico que já tem uma personalidade definida resolve lançar seu trabalho. Fica jovem, mas muito adulto também.


Pra mim, as músicas mais bacanas desse disco são Kajun, Waltz For Tina, Toss Is Back, You Just Gotta' e Fact Of Matter. Nesse disco tem de tudo, muito slide, blues, eletrônico, waltz, fusion... enfim, bastante coisa.


Logo em 2006, Allen já começa a dar as cartas de seus futuros trabalhos e o próximo álbum já vem cheio de personalidade.

Beyond It All já começa muito bem obrigado. Elegant Decadence já vem com um belo groove estilo New Orleans e um tema de Harmônica bem bacana. 

Outra coisa bacana é que o Sr. Allen costuma usar muito slide na composição dos temas. Fora isso, ele utiliza muitos violões, resonators e ambientes compostos por instrumentos "clássicos" para compor um som muito moderno. Talvez o grande exemplo desse álbum seja a composição Redland Road.

Os pontos altos do disco são: Elegant Decadence, Redland Road, March 28th, o blues Worn But Not Tattered, Now Really (essa é a cara da boa fase do Marcus Miller) e a Holdsworthiana Closure.


Até aí, muito bom. Ótimos discos, belas composições, ótimos solos, timbres e muito bom gosto. Nada de 30 segundos de tema e 10 minutos de fritação. São composições, ok?


Em meados de 2008, Allen lança o disco Falling Up. Esse disco, certamente, está sua composição mais conhecida. Falling Up a canção que batiza o disco.
Com uma baita pegada de bateria, uma energia sensacional... puts, essa música fala por si.

Breakaway, a segunda faixa do disco, já mostra que o homem está cada melhor. Bom gosto, muita frase de slide, violões, lap-steel e muito mais. Os improvisos são tão bonitos que parecem que fazem parte do tema.

Todo o disco é excelente. Then Again é a prova que não precisa inventar muito pra fazer uma balada legal, Peace mostra toda a influência de Pat Metheny e Gris Gris Shimmy tem toda aquela pegada New Orleans que ele gosta.


E melhora depois?
Melhora sim senhor!



Em 2011, Allen vem com mais uma joia. Monkeys and Slides é a demonstração, até agora, de todo seu amor pelo slide. Repleto de timbres vintage (o que não é novidade) e uma bela conectividade entre as músicas, esse disco é muito gostoso de ouvir.
Pedro and Marta é uma aula de slide. E detalhe, em afinação padrão!
Confiança é o carro chefe do álbum. Essa, certamente, está entre suas top 5.
Monkeys And Slides, além de ser um tema forte, tem um violão no fundo que é algo de outro mundo.

Todas as composições de Allen possuem uma energia, ao meu ver, muito pacífica e, essa transmissão de sentimentos traz uma sensação muito agradável.

Tudo isso fica evidente ouvindo Traces, She Always Knew e até mesmo a musculosa Oscar's Swagger.


Tantos elogios assim, vão fazer ele perder a mão.
Que nada! O 'homi' vem, como diz o povo daqui de Recife, 'caporra'. Só vai demorar mais um pouquinho do que de costume.


Após uns anos lecionando, gravando videoaulas e sendo endossado por um monte de gente bacana, em 2016, Allen lança, pra mim, seu melhor trabalho, ou melhor, seus melhores trabalhos.


Fly South representa, com certeza, toda sua personalidade musical. As influências de Joni Mitchel, Pat Metheny, Coltrane, George Harrison, Almann Brothers estão todas ali. Mas tudo isso conectadas pelo jeito todo especial de compor do Mr. Allen.

Esse cara sabe como abrir um álbum, visto que Springs Eternal é maravilhosa.
Buckley tem toda aquela urgência rock que todo guitarrista adora.
Joni, repleta de afinações abertas, é uma belíssima homenagem à Joni Mitchel. Little White Lies e Boo's Folly se completam. Não dá pra escutar uma e não ouvir a outra na sequencia. Old Mill Pond traz todo aquele sentimento de campestre. Se o Creedence me traz a sensação de andar na autoestrada e curtir a viagem,  Allen me traz a sensação de que achei uma casa no campo só pra mim e minha mulher. June 15th realmente me faz relaxar nessa casa de campo.
Pra finalizar esse 'discáço', Blues for Ok Tarpley mostra que, pra se tocar blues, não precisa copiar nenhum daqueles bluesman conhecidos. Aqui, Allen mostra que o blues não é necessariamente o que a gente costumeiramente ouve.

Resumo da obra: Disco de primeiríssima! Mais do que recomendado.


Depois desse disco, quem escutar vai querer mais e vai pensar: Aonde eu encontro mais desse camarada?


E não é que junto ao Fly South, Allen lança com os parças Peter Hastings e Chris Wabich do Wonderland Park outra pérola.
Just Get In aparece, não como uma continuação, mas como uma síntese de todos os seus trabalhos. 
Aqui, Allen desfila todo seu fraseado único e seu timbre singular em um conjunto de canções fortes e impactantes. A coisa flui tão bem que parece que eles gravaram o disco ao vivo no primeiro take. O disco quase não tem overbubs e pouquíssimos complementos. A essência do disco é apenas o trio em estado puro.
O disco abre com All Due Respect. Essa já mostra o teor do disco, pegada, melodia e uma crescente espetacular. A faixa Just Get In segue na história da crescente, começa suave e termina pegando fogo. Bobby's Big Wheel traz um arsenal de 'frases legato' aliadas ao já conhecido groove 'New Allen Orleans'. Allen sempre traz bastante conectividade entre as músicas. É é usando essa conectividade que Barron's Crossing vem a tona. Bacana dessa música é que acredito que Allen está usando um EHX B9 para gerar os sons de B3. Truth Be Told nos traz quase 9 minutos de beleza. Impossível não lembrar do disco Offramp do Pat Metheny. Allen não nega suas influências e isso é realmente muito bacana.
Bom, depois dessa linda balada, porque não mais um pouco de tranquilidade e vida campestre, não? E é isso que Spittin' Image traz: tranquilidade. Mas como o disco segue uma história de 'crescentes', Spittin' Image também te acorda para a correria do dia, mas deixa explícito que sempre tem o final de semana pra sossegar.
Pra fechar essa jornada, A Far Cry faz com que o álbum termine com um belo sorriso no rosto.
Sem dúvidas, mais um belíssimo trabalho desse cara que já sou fã.


Tentei achar um vídeo que "representasse" todo o trabalho do Allen, mas a missão foi muito difícil. Abaixo está um vídeo do Wondeland Park ao vivo. Allen de Tele e uma puta sonzera. 
Vale a pena dar uma fuçada nas coisas dele por aí.








abraço a todos!
Arthur

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Led Zeppelin, plágio ou inconsiente coletivo?

Povo bacana,


Não sei se já deixei explícito que uma das bandas que menos gosto, apesar de ter ótimos músicos,  é o Led Zeppelin.


Todo mundo, inclusive Homer Simpson, me falava que o Led era a banda que mais havia plagiado músicas da história. Como eu já não gostava do Led, assumia isso como verdade absoluta.

Homer Simpson jamais falaria alguma mentira sequer!

 

Tenho muito respeito pelo talento absurdo John Paul Jones, dos grooves de John Bonham, das interpretações cinematográficas de Robert Plant e confesso que até Jimmy Page teve sua época de brilho.


Porém, a banda nunca me "prendeu", pelo contrário, sempre senti que as músicas me ofereciam uma atmosfera cansativa e logo corria pra ouvir outra coisa.
Nunca fui fisgado pela guitarra de Page, apesar de reconhecer que em algumas músicas ele faz a diferença.

Bom, voltando à questão do plágio, eu sempre achei que a banda havia plagiado apenas algumas músicas. Recentemente, me deparei com alguma coisa sobre o assunto e, meio que sem querer, procurei alguns vídeos que falavam sobre os plágios da banda.

Então, se você for um daqueles fãs que perde a cabeça quando a gente fala mal da banda, pare por aí, porque o vídeo abaixo pode provocar reações adversas.

Ah, o vídeo é em português. Peguei do usuário do YT chamado Gom.


Então, lá vai!





Hahahaha... Muito bom!


Mostrei esse vídeo pra um amigo fã de Led. Como ele é um cara sem frescura, logicamente, achou graça. Logo na sequência, ele disse que se procurar, até Since I've Been Loving You seria plágio.

Pois o próprio procurou e achou.


Não só achou a "influência" como também achou a introdução.
Lógico Jeff Beck, amigo de Page desde a infância, não iria reclamar dele ter copiado sua introdução.

Mas como disse o meu nobre amigo: 
- O cara plagiou a própria banda! Nível máximo de plágio.




E olha que eu não fucei em nada. Já fizeram isso por mim.


Claro que é muito difícil juntar bons músicos para formar uma banda. E, mesmo depois de juntar esses músicos, ainda querer que eles sejam compositores de mão cheia é como dar um tiro na Lua e acertar.


Fico pensando... Acho que a banda nunca pensou que a busca da informação chegaria no ponto que chegou, porque os caras copiavam na cara dura. 
Acho mesmo é que eles achavam que ninguém jamais iria ouvir música negra fora eles e que nunca iriam descobrir os plágios.


Bom, não vou escrever mais nada. Vou deixar que vocês apenas se divirtam.



abraço!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Jeff Beck, o 'Ame-o ou Deixe-o' - Parte 6 e 3/4

Parece mentira, mas não é!


Ele voltou. Sim, o 'Velho Jeff' voltou para contar suas aventuras, mesmo que algumas delas fiquem mais para 'Karatê Kid' do que para 'Os Caçadores da Arca Perdida'.



Enfim, vamos ao que interessa, isto é, os anos 80 e suas cabeleiras macias e felpudas esvoaçando sobre guitarras cor de rosa com detalhes de pele de onça.... Vixe!

Lógico que tem muita coisa que presta feita na década de 80. Mas pra uma boa parcela eu retiro esse comentário.
Haja mau gosto!



[Haja mau gosto mesmo]
Depois da trilogia do sucesso, de ser considerado o top dos guitarristas até o momento e fazer uma sonzera de lascar, 'El Becko' se prepara para mais um 'CC', isto é, um 'Super Sucesso'.

Em meados de 1984, Jeff Beck se prepara para, talvez, sua maior incursão ao Pop. Aliado ao produtor Nile Rodgers e toda a tendência 'purpurinática' da década, Jeff lançaria, ao mesmo tempo, o melhor e o pior álbum de sua carreira. E tudo isso em um único disco, o inigualável Flash.


Engraçado como um personagem como Jeff transita pelos gêneros, do Blues ao Jazz Rock, do Funk ao Eletrônico... Enfim, Quem esperava que ele viesse com uma pedrada instrumental aliado ao "bom gosto" dos sintetizadores dos anos 80, acertou! E Errou também.





Não sei que tipo de entorpecente os 'donos' da indústria fonográfica usavam na época, porque como afirma o próprio Beck, Flash se resume a um literal "record company goof"!

O próprio Jeff até hoje não entende esse disco, e se pudesse, retirava imediatamente de sua discografia.

Engraçado que a crítica da época elogiou muito o disco, considerando este como 'O melhor de Beck' ou 'Grande evolução de Beck'. Ainda por cima, ele ganhou seu primeiro Grammy com esse disco.

Depois vocês não sabem o que as drogas causam nas pessoas. Já que estamos nos anos 80, vou falar que eu acho que a Erin Brockovich descobriu qual a droga que estava na água que o povo bebia e ficou calada.


Bom, vamos ao disco.

É realmente deprimente ouvir isso. A começar pela abertura do disco. 'Ambitious' é triste de ouvir, 'Get Us All The End' idem.

Beleza, quem sabe a próxima, intitulada 'Escape', música a qual deu o primeiro Grammy para Jeff se salva, e... JAMAIS! Realmente, devia haver algo podre na água da indústria fonográfica da época. Porque, como disse há pouco, haja mau gosto.

Lógico que se a gente procurar apenas performances guitarrísticas, o disco tem alguma coisa, mas como dizia a Pirelli: 'Potência não é nada sem controle'. Então, mesmo com 'El Becko' em plena forma, não seria possível fazer milagres com essas músicas.


Bom, mas o disco tem algum bom momento?


Se você contar beijos e abraços como bons momentos... Talvez sim!


Acho que a coisa mais brega desse disco deve ser esse clipe
E ainda hoje é um clássico! Hahahaha... Eita água essa.
E haja beijo e abraço. É uma epopeia de carinho...
 



Choraram? Claro né! Mas tenho certeza que foi de vergonha alheia.
Pior ainda é ouvir as músicas que vem na sequência.

'Stop, Look and Listen', 'Get Workin', 'Ecstasy' e 'Night After Night' são músicas próprias para suicídio.

Fiquem sabendo que, enquanto escrevo esse monte de bobagem, eu fico ouvindo as músicas no Spotify. Então imaginem como estou me sentindo nesse momento tendo que escutar esse álbum inteirinho.

É daqui pra farmácia pra comprar Lexotan na certa!


[Flash (1985) - É muita tristeza....]

É, meus amigos. É muito complicado de ouvir esse disco. 

Impressionante como um cara como Jeff Beck, que vinha de 3 ótimos discos, entra numa "furada" dessas. Furada entre aspas mesmo, porque, mesmo sendo um disco horrível, elevou Beck a um novo patamar de fama. Tanto que o disco chegou a ser nomeado como 'Best Beck's LP' e suas parecerias nesse disco chegaram a ser intituladas de 'icônicas'...

Vai entender, né?

  
Bom, mas nem tudo são trevas na vida de 'Mr. Beck'. Após uns 4 anos de curtição do ápice da bela fama, Jeff, aparentemente, para de beber da maldita "80's Water" e após uma turnê com Stevie Ray Vaughan (que parece ter colocado JB nos eixos), aparece com um trabalho inusitado. 

Junto com seu 'parça' Tony Hymas e o super baterista Terry Bozzio, Beck definitivamente volta ao normal, isto é, músicas bacanas, inovação e um timbre de guitarra matador.



E bora que bora que agora vem a pedrada!




Inspirado nos trios 'sem Baixo' de Jazz, talvez no 'The Doors', ou até mesmo inspirado pelos sons de baixo programados pelo seu ex-parça Jan Hammer, Jeff Beck e companhia limitada, aparecem com um disco cheio de texturas e melodias bacanas.  Eis o Jeff Beck's Guitar Shop.

Beck, sempre afiado e com todos seus licks de Blues, Rockabilly, Jazz e Rock, ainda aproveita o tempo de fama pra investir numa coisa que não se tinha ouvido com tanta maestria até então. Essa "nova" brincadeira era as frases partindo de um único harmônico.

Lógico que já se fazia isso. Todo guitarrista dos anos 80, inspirados em Eddie Van Halen, fazia uso dos 'Dive Bomb' ou descia/subia as notas usando a alavanca. Mas Beck fez diferente.


Mas antes, uma pausa...


Durante a época do Flash, Jeff deixa de lado, sob protesto, suas Fenders e se abraça com as Jacksons, essas, as sensações dos 80's.
Por respeito ao bom gosto dos poucos leitores deste blog não vou postar fotos das "belezuras" que Jeff segurava naquela época.

Bem, mas essas Jacksons em uma coisa serviu. Que Jeff teria que ter uma ponte baseada nos famosos Floyd Rose

Os anos 80 foi uma ótima oportunidade pra quem queria fazer guitarras, até então, diferentes. Como já dito aqui no blog, até as "stratos comuns" eram de fabricantes, digamos, desconhecidos.

Mark Knopfler, Pete Townshend usavam Schecters, Beck chegou a usar uma Aria Pro. Jackson, Steinberger, Charvel, Performance, Ibanez, ESP, Valley Arts, Krammer e muitas outras eram as 'guitarras da vez'. Dos famosos, acredito que apenas Clapton e SRV ainda usavam velhas Fenders. Gilmour usava Fender, mas com EMGs.



Em meados de 1986, a Fender estava se recuperando dos maus bocados que passou desde 1973 (mais ou menos) até 1985. Após diversas incursões pelas 'inovações' da época. A Fender, finalmente, toma uma medida inteligente e, apoiada numa "volta" das guitarras com designs clássicos, contrata um monte de luthiers de primeira classe para lançar modelos, literalmente, Plus.

Até então, não havia nenhuma Fender Signature Series. O top das guitarras Fender seriam essas que, por um acaso, se chamariam 'Strat Plus'. Eram guitarras espetaculares, com madeiras excelentes e tudo de mais moderno, em se tratando de Stratocaster, é claro!


As Fenders Strat Plus (que não possuíam esse nome) tinham o corpo em Alder, braço em Maple com escalas em Maple ou Rosewood, captadores Lace Sensor Gold, tarraxas Sperzel com trava, Roller-Nut e o novíssimo Tremolo Wilkinson com 2 pivôs. Lembraram de alguma guitarra em especial?


Existe uma lenda que corre por aí de que foi o próprio Jeff que inventou o Roller-Nut e o Tremolo de 2 pivôs para strato. Lógico que é lenda, mas parece verdade, visto a intimidade que 'El Becko' tem com esses aparatos. Esses aparatos foram desenvolvidos por Trev Wilkinson com a finalidade de trazer a mobilidade de uma ponte Floyd Rose para uma aparência "vintage".


As primeiras 'Strat Plus' saíriam em 1987, porém alguns meses antes, antes mesmo dessa história de 'Plus', Jeff solicitou à Fender que esta fizesse uma 62' Strat com a mesma pintura de seu Ford HotRoad (esse aí do lado).

A Fender, imediatamente aproveitou a situação para conversar com Jeff para a fabricação da primeira signature series da história da Fender. A empresa, que estava voltando aos trilhos, viu uma imensa oportunidade de alavancar seus negócios com essa proposta.


Sendo assim, o primeiro protótipo da série 'Plus' ou 'Signature' passou pelas mãos de Beck (essa amarelinha aí do lado).

Mesmo adorando a guitarra, Beck, temporariamente, nega a proposta da Fender para o lançamento da sua Signature.  

Dessa forma, a Fender atrasa o lançamento dessa 'série surpresa' por motivos administrativos/Marketing. Mas na verdade, o lançamento foi adiado porque Jeff desistiu do lançamento de sua Signature. Dessa forma, Eric Clapton acabou, pouco tempo depois, se tornando o primeiro 'Fender Artist' da história.


Bom, isso não impediu Beck de usar sua 52 Tele, a horrenda Jackson e sua "Signature Series" (com caps Seymour Duncan) para a gravação do ótimo Jeff Beck's Guitar Shop.


O disco nasce bacana. A capa é muito legal. Toda essa coisa da paixão de Beck por carros e guitarras fica muito bem retratada na capa.

Enfim, sem Nile Rodgers e vocais sedutores, Beck leva,junto as suas 'Sig', para o 'The Sol Studio' seus bons e velhos Marshalls Plexi.

Utilizando de toda a tecnologia digital da época (que não eram 286s nem XTs), Jefferson 'El Becko' Beck explora magnificamente todos os recursos do estúdio. De pedais até delays adicionados após a gravação. Mas não se enganem, tirando a faixa título vencedora do 'Best Instrumental Rock Performance' do 90'Grammy. Toda a essência do disco foi gravada ao vivo!

Lógico que o timbre não é nada vintage. Mas como Mr. Beck não está nem aí pra isso. O bicho pega!


Logo na faixa de abertura, Terry Bozzio, apresenta o disco, e para guitar-maníacos como nós, a faixa de abertura 'Guitar Shop' é um deleite. Ele descreve quase tudo de uma guitarra, o que acaba se tornando uma brincadeira repleta de verdades.

Savoy é um tiro de canhão e Behind The Veil, ah... Esse Dub é muito bonito... aquele bend no final...

Big Block é um Power-Blues que o 'homi' toca até hoje. Até aí, nota-se toda a intimidade de Beck com o novo tremolo da sua strato. Todos aqueles 'migués' de dar tapa na alavanca para a guitarra ficar "gripada", fazer uma onda "indiana" com a palma da mão, enfim, Beck usa de tudo para fazer a guitarra literalmente berrar.


Mas a surpresa ainda estava guardada.


É em 'Where Were You' que a coisa se toda se exclarece. Não posso considerar essa música uma balada, mas sim uma explosão de sentimentos. Toda a concepção dela beira... Peraí, beira não! É sublime. O comecinho em Lá maior, as modulações, tudo é genial. E mesmo com todos aqueles timbres meio 'oitentistas', não sai de moda.


Logo após o lançamento do disco, que alcançou o posto #49 na Billboard, houve uma extensa matéria com Jeff Beck na revista Guitar Player e, em um determinado ponto da entrevista, perguntaram como ele havia conseguido extrair aquele timbre com slide em Were Were You. Ele prontamente pensou: "Sabe de nada, inocente!" e respondeu:  - Não foi com slide, foi tudo com a alavanca.


What!!??


Yep! Its all about the whammy bar. Pronto, ali a surpresa havia sido revelada. 
Todos sabemos que caras feito Scott Henderson, Mike Landau, Steve Lukather, Ritchie Blackmore, etc, que gostam muito de alavanca, na verdade se inspiram em 'Slide Players', e com Beck não era diferente. Só que o 'danadinho' estava indo além.


Fico pensando quanto tempo da vida Beck gastou só pra decorar as escalas partindo de um harmônico. Realmente inacreditável como ele faz.

Até onde sabemos, a regulagem do tremolo dele é igual a que o Carl Verheyen diz que é dele, isto é, puxando a alavanca para tras a coisa funciona assim para as seguintes cordas:

G - 1,5 tom (uma terça menor acima)
B - 1 tom
e - 0,5 tom

Mas pra descer a escala, aí garoto, é na munheca mesmo.


Quem achou que para por aí, errou. Em Two Rivers, outra belíssima balada, 'El Becko' mostra todo o serviço com o tremolo novamente. Me lembro que há uns anos, me dediquei a pegar essa música, bem... ao menos tentei.

Depois que a gente entende o raciocínio dela, não fica complicada não. Ok, a parte complicada seria por volta de 1:45, que é quando ele usa dos benditos harmônicos.

Até aí, beleza. Até que pintou um dúvida e fui dar uma pescada no YouTube pra ver como se fazia. Foi aí que eu vi que ele só usa as notas digitadas somente em um pedaço da música, e é lá pra depois da metade!

O 'mizeravi' usava os harmônicos em 90% da música! Mas como? É impressionante como ele faz as frases todas usando só a alavanca. Tudo com uma precisão absurda. Tão preciso que parece que ele esta usando a nota do braço mesmo.



Eita disco 'bão' danado!



Pois é, amiguinhos. Foi dessa forma que Jeff Beck aposentou o laquê e o batom para retornar ao mundo dos músicos! E que retorno!


A partir daí, Beck começa sua nova jornada que pega em cheio a tendência dos anos 90.


Pra terminar, uma frase que resume o 'homi':

"I don't care about the rules. If i don't brake the rules at least 10 times in every song then i'm not doing my job properly"





Me calei!











Próximo post: Rockabilly, DJs, Raves, Timbres faiscantes e sua nova obsessão por mulheres instrumentistas.






Um abraço!